Futebol
14 Out 2024 | 14:43 |
Com o Flamengo entre os líderes do futebol brasileiro, o debate sobre a implementação de um fair play financeiro no país ganha força. A questão divide opiniões entre torcedores e dirigentes, especialmente aqueles de clubes estruturados como SAFs ou com grandes dívidas. Um estudo da Sports Value ajuda a explicar o motivo dessa divisão, destacando o Mengão como um dos poucos clubes que já se adequariam às regras propostas.
Assinado por Amir Somoggi, especialista em marketing esportivo, o estudo usa o modelo europeu de fair play financeiro como inspiração. Esse sistema foi introduzido na Europa em 2011, após os clubes atingirem um prejuízo recorde de € 1,7 bilhão. A iniciativa ajudou a restaurar a lucratividade dos clubes até 2017, com resultados que, apesar de afetados pela pandemia de Covid-19, permanecem controlados.
Analisando as falhas que permitem a alguns clubes europeus burlarem o sistema — seja por meio das SAFs ou de patrocínios —, a Sports Value sugere o modelo ideal para o Brasil: “Um fair play financeiro transversal, com análise de diferentes dados e índices financeiros”. Esses índices incluem:
- Controle rigoroso dos déficits das SAFs: máximo de R$ 20 milhões (média de dois anos);
- Limitação dos gastos com futebol: máximo de 73% das receitas;
- Controle do endividamento: índice de dívida líquida/receita inferior a 2,0.
- SAFs não atendem ao controle de déficit
O primeiro índice já revela o desequilíbrio causado pelas SAFs no futebol brasileiro. Apesar de alguns torcedores tratarem a questão como “clubismo” ou “inveja,” quatro dos seis clubes com maiores déficits entre receitas e gastos são empresas. O destaque negativo vai para o Botafogo, que gastou mais com contratações na temporada e acumula perdas de R$ 349 milhões, de acordo com dados financeiros de 2022 e 2023. Esses gastos só são possíveis porque o clube pertence à Eagle Holding, empresa do investidor norte-americano John Textor.
Outros clubes que superaram o déficit médio de R$ 20 milhões foram Vasco da Gama SAF, Bahia SAF, Grêmio, América-MG SAF e São Paulo. Enquanto isso, o Flamengo, que bateu recordes de receita e arrecadou R$ 1,4 bilhão em 2023, apresentou um superavit de R$ 455 milhões no período.

Controle de gastos
O controle dos déficits está diretamente ligado ao limite de gastos em relação à receita, um quesito em que o Flamengo também se destaca. A Sports Value recomenda que os clubes gastem, no máximo, 73% de suas receitas. Atualmente, apenas Flamengo, Internacional, Corinthians, Cuiabá SAF, Santos e Athletico-PR estão dentro desse limite. Já Botafogo e Bahia, ambos adquiridos por investidores estrangeiros, ultrapassaram a marca de 100%.

Endividamento
O último índice analisado é o endividamento líquido dos clubes, que compara as dívidas com as receitas e o caixa disponível. O índice não deve ultrapassar 2,0, segundo a consultoria. O Flamengo, com um índice de apenas 0,05, está entre os melhores. Na maioria dos casos, os clubes brasileiros estão dentro do limite, exceto Atlético-MG SAF, Cruzeiro SAF, Internacional, Vasco SAF e Coritiba SAF. Para ter acesso ao estudo completo, clique aqui.

Landim defende o debate sobre fair play financeiro
Como um dos líderes desse movimento, o Flamengo, através de seu presidente Rodolfo Landim, defende a implementação de um modelo de fair play financeiro no Brasil. Em entrevista recente, Landim mencionou os altos investimentos do Botafogo na temporada e afirmou que o tema precisa ser debatido com seriedade entre os clubes.
“Em breve, teremos que discutir questões que podem impactar o Botafogo. Se observarmos o valor que o clube investiu na aquisição de atletas este ano, certamente foi muito superior à receita do ano passado. Sob uma regra de fair play financeiro, isso não seria permitido. Hoje, o futebol brasileiro ainda é muito desregulado nesse aspecto, e acho que essas questões precisam ser discutidas seriamente para o futuro,” disse Landim.
Apesar da decisão final ser tomada pelo presidente do clube, o diretor teve papel fundamental para a saída do treinador do Mengão
04 Mar 2026 | 09:25 |
A demissão de Filipe Luís partiu do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Antes da decisão final, no entanto, o diretor de futebol José Boto apresentou ao mandatário a sugestão de troca no comando técnico. De acordo com apuração do jornalista Mauro Cezar Pereira junto a fontes da cúpula rubro-negra, o modelo de gestão atual prevê que o diretor seja responsável por monitorar o dia a dia do Centro de Treinamento. Boto e Bap mantêm contato diário, em alinhamento constante sobre os rumos do departamento.
O dirigente português já não enxergava possibilidade de evolução da equipe nos moldes esperados pelo Flamengo e levou sua avaliação ao presidente. A partir daí, os dois passaram a discutir ponto a ponto o cenário até chegarem à conclusão de que a mudança era necessária.
De acordo com Mauro Cezar, uma fonte ligada ao clube afirmou que a participação do diretor na decisão de demitir o treinador é óbvia, e que passa inicialmente por José Boto antes de chegar à presidência do clube.
A saída do treinador não foi definida de forma imediata. O processo envolveu etapas internas de análise e debates até que presidente e diretor consolidassem o entendimento pela demissão. No dia a dia, o presidente não acompanha presencialmente todas as atividades no Centro de Treinamento.
Cabe ao diretor relatar acontecimentos, apresentar diagnósticos e responder aos questionamentos. Bap interfere quando julga necessário ou quando é provocado pelo departamento de futebol. Foi nesse formato de gestão que se construiu a saída de Filipe Luís: uma recomendação do diretor de futebol, posteriormente avalizada pelo presidente. Agora, o Flamengo prepara a apresentação de Leonardo Jardim como novo comandante da equipe.
Campeão e ídolo no Mengão, o português indicou a contratação de seu conterrâneo após sua saída do clube ainda na pandemia em 2020
04 Mar 2026 | 09:14 |
A chegada de Leonardo Jardim ao Flamengo retoma uma história iniciada em 2020, quando Jorge Jesus deixou o comando do clube e indicou o compatriota como possível sucessor. Seis anos depois, a sugestão feita nos bastidores finalmente se concretiza.
Jorge Jesus sobre Leonardo Jardim no Flamengo: "boas condições de manter o time..."
A informação foi revelada à época por João Guilherme, então na Fox Sports e atualmente na Flamengo TV, após um almoço entre Marcos Braz e Jorge Jesus. O narrador destacou que a indicação não representava garantia de contratação, mas evidenciava a confiança do técnico português no trabalho de Leonardo Jardim.
“Não significa dizer que esse nome será o novo técnico do Flamengo. Pelo contrário. Às vezes, acontecem indicações, elas são ouvidas e não são levadas adiante. Mas ele tem uma chance boa de ser o técnico do Flamengo”, afirmou João Guilherme na ocasião.
Segundo o relato, Jorge Jesus foi direto ao ponto durante a conversa: “Um treinador que eu vejo com boas condições de manter o time do Flamengo em altíssimo nível e seguir o meu trabalho chama-se Leonardo Jardim.”
Após a saída de Jorge Jesus, o Flamengo teve uma sequência de treinadores: Domènec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho, Paulo Sousa, Dorival Júnior, Vítor Pereira, Jorge Sampaoli, Tite e, por fim, Filipe Luís, que teve maior sucesso.
Enquanto isso, Leonardo Jardim seguiu a própria trajetória no futebol internacional, com passagem mais recente pelo Cruzeiro. Também houve mudanças na diretoria rubro-negra. Se em 2020 a eventual chegada de Jardim dependeria de Marcos Braz, agora o acerto foi conduzido pelo diretor de futebol José Boto, marcando um novo capítulo na estrutura de comando do clube.
Presidente do Mengão comandou a decisão de mandar embora o treinador e comentarista vê desrespeito no tratamento do caso
04 Mar 2026 | 09:02 |
Para o ex-jogador e ídolo do Flamengo, Maestro Júnior, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, agiu com desrespeito e insensibilidade na forma como conduziu a demissão de Filipe Luís. O treinador foi desligado na madrugada desta terça-feira (03), após a goleada sobre o Madureira.
Júnior sobre Bap, presidente do Flamengo, após demissão de Filipe Luís: "se acha maior do que o clube..."
“Hoje o assunto foi um só: a forma desrespeitosa como se deu a demissão de Filipe Luís. Muita gente surpresa, mas quem vive o futebol há muito tempo sabe que, infelizmente, quando quem comanda se acha maior do que o clube, situações assim acabam acontecendo”, escreveu Júnior.
O ex-lateral ainda ponderou que o presidente tem autonomia para tomar decisões, mas destacou a falta de sensibilidade no caso: “O mandatário tem, sim, a prerrogativa de demitir quem quiser e na hora que quiser. Isso faz parte do cargo. O que não pode faltar é sensibilidade – principalmente quando se trata de um ídolo”, publicou em sua conta no Instagram.
Atualmente comentarista da TV Globo, Júnior também ressaltou os sete anos de história que Filipe Luís construiu no Flamengo. Ao mesmo tempo, reconheceu que houve erros, como nas partidas contra o Lanús, mas destacou que analisar o contexto é diferente de apenas julgar resultados.
“O que mais pesou foi a forma. Poderiam ter feito antes da coletiva, preservado a imagem de alguém que construiu uma trajetória vitoriosa e identificada com a equipe. A sensação foi de exposição desnecessária, de isolamento. E isso arranha a imagem de um clube que prega profissionalismo o tempo todo”, afirmou. Ao fim da publicação, o eterno camisa 6 desejou sorte ao amigo na sequência da carreira.