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O Flamengo e mais oito clubes solicitaram a paralisação do Campeonato Brasileiro durante a Copa América, devido aos desfalques das equipes durante o torneio de seleções. No entanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na noite desta quinta-feira (29), rejeitou o pedido. A entidade emitiu uma nota explicando os motivos.
VEJA A NOTA DA CBF:
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em resposta ao ofício enviado em 15 de fevereiro por clubes da Série A, solicitando alteração do Calendário Nacional do Futebol Masculino de 2024, em função da 48ª edição da Copa América de Seleções, vem a público prestar os esclarecimentos necessários.
A entidade agradece e considera essencial este diálogo amplo e permanente entre Clubes, Federações e CBF para melhoria e desenvolvimento do Calendário e de todo o Futebol Brasileiro e suas competições. A elaboração do calendário brasileiro de competições é de extrema complexidade, precisando ser adequado e harmonizado com os calendários divulgados pela FIFA e CONMEBOL, e, também, por exigências específicas da legislação brasileira (Lei Pelé e Lei Geral do Esporte).
Ao receber a proposta e em respeito aos envolvidos, a CBF imediatamente acionou diferentes áreas internas da entidade para a realização de estudos e simulações, o que demanda tempo. Também consultou os parceiros comerciais envolvidos na competição, entre eles a principal empresa detentora dos direitos de transmissão da Série A da Copa do Brasil.
O calendário para as competições de futebol masculino de 2024 foi divulgado em outubro de 2023, há quatro meses, e conseguiu-se, pelo segundo ano consecutivo, evitar conflitos com datas FIFA, honrando assim o compromisso com seus filiados e clubes.
Assim, em resposta ao pleito de parte dos Clubes da Série A, destacamos os seguintes pontos:
Não foi considerado pelos clubes a alteração do modelo de disputa da Fifa Intercontinental Cup (Mundial de Clubes). Os times da América do Sul, para chegarem à final, terão que disputar três partidas, diferente dos anos anteriores. Caso o vencedor da Copa Libertadores seja uma equipe brasileira, o que ocorreu nas últimas cinco edições, e se o clube for também finalista da Copa do Brasil 2024, a proposta apresentada não seria viável;
A Copa do Brasil 2024, teria um intervalo de 4 (quatro) meses entre as quartas de final e as semifinais, o que gera profunda perda de interesse dos espectadores, desvalorizando a competição e podendo causar prejuízos aos clubes, patrocinadores e detentores de direitos;
Haveria prejuízos à dinâmica das competições na medida em que acarretaria um intervalo de praticamente um mês entre rodadas da Série A do Campeonato Brasileiro;
A CBF teve todo o cuidado de consultar a principal empresa detentora dos direitos de transmissão da Série A e da Copa do Brasil. Infelizmente, mudança pretendida afeta diretamente o cumprimento dos contratos, bem como dos contratos celebrados com os patrocinadores que fizeram todo o planejamento com base nas datas previamente divulgadas pela CBF;
A proposta de alteração do calendário de 2024 foi enviada após o início de diversos campeonatos estaduais e regionais e às vésperas do início da 1ª fase da Copa do Brasil, o que poderia gerar ajustes desiguais e que não envolveriam a integralidade do calendário do futebol nacional e todas as suas competições;
A alteração geraria o prolongamento da temporada para 2 (dois) clubes, impactando em datas definidas de férias dos atletas e comissão técnica, o que poderia acarretar graves problemas envolvendo direitos trabalhistas, e geraria impactos para o Calendário de 2025;
Na proposta apresentada, as fases de oitavas e quartas de final ocorreriam exatamente durante a Copa América 2024, ficando os clubes igualmente desfalcados, mas em campeonato de fases eliminatórias e com alta premiação financeira;
Diante destas e de outras razões expostas na íntegra do ofício anexo, a CBF informa que não é possível acolher o pedido de alteração do calendário de 2024. Porém, permanece aberta ao diálogo, como sempre aconteceu, para debater de forma ampla com Federações, Clubes, parceiros e atletas a melhoria das competições e do calendário nacional.
O CAS registrou recursos do León e do Pachuca contra a Fifa, protocolados no último dia 2. Eles declaram que os clubes cumprem os requisitos para o torneio
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O León, do México, foi à CAS (Corte Arbitral do Esporte) contra a decisão da Fifa de excluir o clube do Mundial de Clubes. A entidade que comanda o futebol alegou, em março, que o time mexicano é controlada pelo mesmo grupo que o Pachuca, que também está na competição, e que ambos descumpriram os critérios determinados para poderem disputar a competição simultaneamente. Antes da exclusão, o León estava no grupo do Flamengo.
O CAS registrou recursos do León e do Pachuca contra a Fifa, protocolados no último dia 2. Eles declaram que os clubes cumprem os requisitos de elegibilidade para o Mundial. O Tribunal informou que os recursos serão analisados na semana de 5 de maio.
No próximo dia 23, o CAS já terá uma audiência a partir de um pedido do Alajuelense, da Costa Rica, que abriu reclamação formal pedindo a retirada do León do torneio da Fifa. O time costa-riquenho considera que tem que ser chamado como novo participante.
Antes do julgamento, cada um dos envolvidos terá direito a escolher um árbitro entre as opções registradas pela CAS. Além disso, haverá um juiz principal, que será quem tomará a decisão final sobre manter ou retirar de vez o León do Mundial - e também se o Alajuelense herdará a possível vaga. A Fifa havia comunicado que só vai se posicionar sobre quem será o novo integrante do Mundial após conhecer a decisão da CAS.
De acordo com o regulamento 10 do Mundial de Clubes, "nenhuma pessoa física ou jurídica pode controlar ou exercer influência sobre mais de um clube participante da competição".
Pachuca e León pertencem ao Grupo Pachuca, que é gerenciado pelo empresário Jesús Martínez Patiño e controla também outros clubes de futebol, como Mineros de Zacatecas, do México, Coyotes de Tlaxcala, do México, Talleres, da Argentina, e Everton, do Chile.
Os representantes de Pachuca e León chegaram a se reunir com dirigentes da Fifa para mostrarem que são dirigidos de forma independente apesar de pertencerem ao mesmo conglomerado.
Após o processo disciplinar aberto contra o CF Pachuca e o Club León, o presidente do Comitê Disciplinar da FIFA decidiu encaminhar o caso diretamente ao Comitê de Apelação da FIFA, de acordo com o artigo 56, parágrafo 3 do Código Disciplinar da FIFA .
Após avaliar todas as evidências arquivadas, o presidente do Comitê de Apelações da FIFA decidiu que o CF Pachuca e o Club León não cumpriram os critérios de propriedade multiclube definidos no artigo 10, parágrafo 1, do Regulamento da Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025™ .
De acordo com o artigo 10, parágrafo 4º do Regulamento da Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025™ , a FIFA determinou que o Club León será removido da competição, e o clube a ser admitido como substituto será anunciado oportunamente.
Piauí relata articulações de presidente para garantir reeleição na CBF, além de gastos milionários com parlamentares, artistas e membros do Judiciário
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Bastidores da gestão de Ednaldo Rodrigues à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foram revelados nesta sexta-feira (4), em reportagem da revista Piauí. Foram reveladas manobras e articulações do presidente para garantir a reeleição na entidade, além de gastos milionários bancados pela CBF com parlamentares, figuras da classe artística e membros do Poder Judiciário.
De acordo com a publicação, a CBF bancou um grupo de 49 pessoas sem relação direta com a entidade durante a Copa do Mundo do Catar, incluindo voos em primeira classe, hotel cinco estrelas e ingressos para jogos da seleção brasileira. A “farra” teria custado R$ 3 milhões aos cofres da entidade. Entre os beneficiários estão deputado, senador, desembargador, cantor, empresário, jornalistas e socialite, bem como membros de seus respectivos familiares.
Ednaldo Rodrigues respondeu afirmando “ser praxe que entidades esportivas façam convites a pessoas relevantes e personalidades para acompanhar grandes eventos”, disse.
Outro ponto destacado na reportagem são os reajustes salariais a presidentes das federações estaduais ao longo do mandato de Ednaldo. Até 2021, antes do atual mandatário assumir, os chefes das afiliadas recebiam R$ 50 mil. Atualmente, os vencimentos estão na casa de R$ 215 mil, um aumento de quase 200%, com direito a 16º salário.
Cabe ressaltar que Ednaldo foi reeleito presidente da CBF de maneira unânime, com voto das 27 filiadas e dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
Um agrado em particular foi dado a Roberto Góes, presidente da Federação Amapaense de Futebol e também vice-presidente da CBF. A entidade nacional pagou estadia em um hotel cinco estrelas no Jardins, bairro nobre de São Paulo, e passagens aéreas de Macapá à capital paulista para o dirigente viajar com a mulher, a irmã e a filha. O motivo seria um procedimento cirúrgico da companheira, a advogada Gláucia Costa Oliveira. No pós-operatório, ele pediu para ficar mais dez dias em solo paulistano, solicitação autorizada por Ednaldo.
Tudo custou R$ 114 mil à CBF. Ednaldo afirmou que “as despesas dos familiares dessas pessoas (presidentes de federações) são por elas pessoalmente bancadas”.
Apesar dos altos valores citados, a reportagem revela a suspensão de todas as viagens aéreas e hospedagens pagas pela CBF a árbitros da Série A do Campeonato Brasileiro, que deveriam realizar quinzenalmente um treinamento e avaliação física em um clube privado do Rio. A entidade alegou restrições orçamentárias e a avaliação passou a ocorrer apenas por videoconferência.
A avaliação ocorria em paralelo a um projeto apresentado por Wilson Luiz Seneme, ex-chefe da Comissão de Arbitragem, que sugeriu o desenvolvimento de centro de treinamento exclusivo, com refeitório, alojamento e campos de futebol cercados por câmeras de vídeo para a simulação de lances, além da criação de uma escola de árbitros.
Ambos os programas, estimados em R$ 60 milhões, foram aprovados por Ednaldo. Porém, Seneme acabou desligado da CBF após o acúmulo de maus desempenhos dos árbitros na temporada passada. Profissionais do apito criticaram justamente a falta de verba para a realização das avaliações no Rio.
A publicação detalha ainda o pagamento de R$ 2,5 milhões a Gustavo Feijó pela CBF. O cartola de Alagoas era rival de Ednaldo e foi escalado por Flavio Zveiter como vice na empreitada do filho do desembargador Luiz Zveiter à presidência da entidade. Naquele momento, Ednaldo estava afastado do cargo em decorrência de litígio na Justiça.
Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, chegou a trabalhar para Feijó virar cabeça de chapa, mas o candidato desistiu após receber o pagamento, referente a uma ação contra a CBF em Alagoas. Meses antes, já de volta à função, Ednaldo pagou R$ 10 milhões para contratar Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, antiga advogada de Lira e atual ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A reportagem dá detalhes também sobre a ação trabalhista movida pela arquiteta Luísa Xavier da Silveira Rosa contra a CBF. Contratada ainda na gestão de Rogério Caboclo para a construção de 14 centros de treinamento, ela teve pedido de demissão para ir trabalhar na Fifa negado por Ednaldo, que a nomeou diretora de patrimônio, a tornando a primeira mulher na diretoria da entidade. Contudo, o movimento foi uma “jogada de marketing”, segundo a advogada de Luísa. Isso porque a profissional sofreu com “retaliações, esvaziamento de atribuições e todo tipo de humilhação”, além de receber menos da metade do antecessor. Assim, ela acusou o mandatário de assédio moral.
Luísa também testemunhou a contratação de prostitutas para atender convidados em eventos da CBF e ouvia “todo tipo de comentário misógino”. Ela também relatou “elogios insinuantes e convites indesejados” de Rodrigo Paiva, ex-diretor de comunicação, e Arnoldo de Oliveira Nazareth Filho, ligado à Federação Amazonense de Futebol. Em ambos os casos, moveu ação por assédio sexual. Paiva, em resposta, afirmou que “sua trajetória profissional sempre foi marcada por incentivos à desconstrução da cultura do assédio”. O dirigente amazonense não se manifestou.
Departamento de Seleções já iniciou o planejamento para a próxima Data FIFA, em junho e um novo treinador, seja ele qual for, está nos planos
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O Presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, se reuniu com o coordenador executivo geral das Seleções Masculinas, Rodrigo Caetano, e com o coordenador técnico, Juan Santos, para discutir sobre a escolha do novo treinador da Seleção Brasileira.
O objetivo é anunciar o novo treinador antes da próxima Data FIFA da Seleção Amarelinha, em junho, quando o Brasil enfrentará o Equador e o Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, nos EUA, Canadá e México.
"Em breve, anunciaremos o nome do técnico"
"A reunião com o coordenador executivo geral das Seleções Masculinas, Rodrigo Caetano, e com o Juan teve como foco a escolha do novo treinador da Seleção Brasileira. Em breve, anunciaremos o nome do técnico, a tempo de fazer a convocação para os dois jogos das Eliminatórias, na data FIFA de junho”, explicou Ednaldo Rodrigues.
Como parte da programação para os compromissos, o Departamento de Seleções iniciará as observações dos jogos pelo Brasil a partir deste sábado (5). O primeiro será Botafogo x Juventude, no Nilton Santos. Partidas do Brasileirão, Libertadores e Copa Sul-Americana também serão analisadas, incluindo o Flamengo.
Desde terça-feira (1º), Juan e o analista de desempenho Thomaz Araújo, que fará parte das observações pelo país, acompanham confrontos de campeonatos europeus. Na área de Saúde e Performance, a médica Andréia Picanço e o fisiologista Guilherme Passos começaram a traçar as estratégias para a preparação da Seleção. O planejamento é oferecer informações precisas para ajudar o treinador no novo trabalho.
O coordenador executivo geral das Seleções Masculinas, Rodrigo Caetano, explicou que os contatos com o presidente Ednaldo Rodrigues têm sido bem mais frequentes neste momento em que se busca definir a nova comissão técnica.
"Temos tido reuniões com o presidente Ednaldo, com a participação do Juan em algumas delas, com o foco em buscar o nome desse futuro treinador da Seleção Brasileira. Assim que tivermos isso definido por parte do presidente, iniciaremos as negociações para o mais rapidamente possível anunciar o nome do novo comandante da Seleção Brasileira", contou Rodrigo Caetano.
"O Departamento de Seleções segue providenciando relatórios, fazendo observações in loco, que iniciaremos nesse final da semana, e acompanhando todas as competições relevantes fora do país, para juntarmos o maior número possível de informações para o futuro comandante. Esse trabalho é diário e constante, sempre foi realizado antes. E agora, a gente está dando prosseguimento normalmente", acrescentou o coordenador executivo geral.